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Só por hoje

 

 

 

"Passamos a vida inteira esperando por recompensas por fazermos o que é nosso dever, e hoje percebemos que o grande prêmio da vida, é a própria vida.
Não existe uma plateia eufórica com o nosso nome estampado em uma camiseta, torcendo freneticamente pelas nossas idealizações, nem aplaudindo aquilo que é a nossa responsabilidade fazer por nós mesmos. O lance é agora, é tudo ou nada, pois já é tempo de salvar a nossa pele, custe o que custar..."Darléa Zacharias

 

 


 

Mais textos da Darléa:

 

 

Eu, minha codependência e os adictos da minha vida. 
Por Dárlea Zacharias 


Por toda minha vida, estabeleci uma relação de amor e ódio com eles, que me esgotou completamente emocionalmente. 
A alternância de identidade dos mesmos, o poder de auto- sabotagem, o descontrole emocional que acabava me contagiando. A minha falta de habilidade em ser mais assertiva e menos permissiva, me impediam de tomar atitudes onde eu pudesse me colocar em primeiro plano naquelas relações. 
Por vezes, olhá-los fixamente e pensar durante alguns instantes em sua partida, foi o que me deu forças para prosseguir. Pensar em como minha vida seria diferente e em como eu seria mais feliz sem tê-los por perto era um pensamento egoísta, mas, era o muro que me protegeria de ser alcançada por eles.
Sei que é estranho para quem nunca viveu um problema assim compreender tais pensamentos, mas, só quem passa ou passou, consegue entender a ténue linha da razão e da insanidade que toma conta de nossas mentes, quando somos de alguma forma, manipulados, usados, desmerecidos, desconsiderados, descartados , imobilizados e abusados afetivamente por eles.
É como um túnel, um vazio... A culpa é um eco que teima em gritar que fracassamos de todas e imagináveis maneiras. Uma voz que nos diz o quanto somos tolos em amá-los sem que eles sequer mereçam nosso amor e as nossas lágrimas. Porém, como exigir amor de uma pessoa que não consegue se amar? Se a pessoa usa droga ele não se ama, então como pode dar o que ele não tem para si mesmo?
A sensação de ser nada para eles, nos dilui. A certeza de sermos apenas, provedores de formas compulsivas de uso, nos paralisa e desespera.
Nos tornamos obcecados por sua melhora e adoecemos com eles, a cada dia um pouco mais.
Buscamos resolver seus problemas, quando na verdade não enxergamos a dimensão do nosso. Não conseguimos compreender que nossas vidas param juntamente com a dele.
Damos o nosso melhor para convencê-los de que o que vivem não é certo, não é bom. E, quando achamos em um ápice de auto- engano, que conseguimos persuadi-los, recomeça todo o ciclo mortal novamente. Recuperamos nossa esperança apenas para perde-la no momento seguinte. Nossas expectativas irreais nos esgotam mentalmente e emocionalmente. Perdemos até mesmo a capacidade de rezar... Nossas mentes não param de trabalhar tentando achar uma solução para tudo que estamos vivendo. 
Precisamos nos render, somos impotentes perante eles. Não somos culpados por nos sentirmos assim. Mas, somos responsáveis em tentar mudar o que se passa dentro de nós, colocando ação para modificar aquelas coisas que podemos.
Não podemos nos impedir de pensar ou sentirmos dor diante da situação em que eles se encontram, mas podemos não agir em função desses pensamentos e sentimentos. Precisamos não ceder aos nossos instintos protetores.
Precisamos pensar em nós e tentarmos nos colocar em primeiro lugar naquela relação. Podemos abrir mão de remoer soluções irreais e começar a entregar a situação nas mãos de quem realmente pode resolve-la: Deus! 
Substituimos ódio e amor doentio, por fé. esperança e entrega.

"Desligar-se emocionalmente não significa abandono, significa que não estamos mais lutando, estamos entregando."

Não podemos mudar o outro, só podemos modificar a nós mesmos. Por mais que tentemos controlar o outro, sempre fracassaremos em nossas investidas. Devemos nos perguntar até que ponto esta esgotante jornada de controle valerá a pena? Devemos ser honestos conosco, e por um instante e questionarmos: Podemos controlar nossos adictos? Podemos lidar com eles sem nos descontrolarmos a todo instante? Podemos modificá-los? A resposta é bem simples e óbvia: Não podemos controlar nossas ações, impulsos, emoções e por fim, não podemos moldar o outro a nossa maneira. Podemos mudar somente a nós mesmos e admitir isso, já é um bom começo para inicialização da recuperação da codependência.
"Hoje, começo a entender que o amor não pode estar condicionado a nada. Que amor e controle juntos, não é amor, mas sim, doença em alto estágio de evolução.
Se eu não libertar, jamais me sentirei livre também."

Livros de auto ajuda na área da dependência química:
Drogas o árduo caminho da volta- coragem para mudar e Inimigo Oculto, foco, força e fé. 
Autora: Darléa Zacharias


Álcool para Mim, é Droga!


No início da minha recuperação, compreender que o álcool era droga, e que eu nunca mais poderia tomar um chopinho, era horripilante. Pensar que eu era uma coitadinha, que não podia mais tomar aquela cervejinha como qualquer outra pessoa normal, me matava. É que eu me projetava no futuro, e o programa é só por hoje. Eu não tinha que pensar em como seria lá na frente. Eu só tinha que admitir que não era a última dose que me levava à destruição, que era a primeira, e que o álcool não era ponte para as outras drogas, ele era a própria droga. Achar que o álcool é diferente das outras drogas é insanidade. Para quem tem problemas com a obsessão e compulsão, não existe diferencial de uma droga para a outra. O álcool é uma droga potente e lícita, mas destrói em gênero, número e grau, igual a qualquer outro alterador de humor. 
Hoje, quando vou a uma festa, já é tão automático responder não para o álcool que, às vezes, eu mesma me impressiono. Antes era um sacrifício! Parecia que o mundo se divertia usando álcool e só eu não. 
Acho incrível as pessoas se espantarem quando digo que não bebo. Deveria ser exatamente o contrário!
Quando digo que não quero beber as pessoas querem saber por quê! Simplesmente não tenho que ficar dando explicações, apenas falo que não gosto e ponto. 
Bebe quem pode! Obedece ao programa de recuperação, e não bebe, o adicto que tem juízo!
Darléa Zacharias

(Leia mais sobre este texto no livro Drogas o árduo caminho da volta- Coragem para mudar!)
Acessem o site:www.darleazacharias.com.br